Minha mãe lembrava esses dias que na terceira série eu fui ameaçada de morte por uma “coleguinha” de classe. Eu chegava em casa com as pernas roxas de tanto tomar chutes e o motivo: ser negra. (Minha mãe foi até a diretoria e depois de umas conversas o problema foi resolvido e hoje, eu e a Thaís até somos amigas).
Ainda é raro ver um artista negro fazendo sucesso na TV e nas capas das revistas, quando isso acontece, sempre usam photoshop para clarear um pouco a pele. Não entendo como isso pode acontecer num país como o Brasil onde metade da população é negra/parda.
Como vamos comemorar o feriado da Consciência Negra se ainda ganhamos menos? As últimas análises do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) divulgaram que no Brasil os negros ganham 50% menos que os brancos.
Eu acho um saco ficar dividindo as pessoas por classes e raças, mas o que vamos fazer se aqui isso acontece desde o descobrimento? Mais de 500 anos separando as pessoas, escravizando, explorando… Há muito o que fazer para mudar esse quadro.
Não estou pedindo mais políticas públicas como “Bolsa Família” e cotas em Universidades , porque isso não ensina nossas crianças, que desde pequenas aprendem a tratar o negro com inferioridade, que todos somos iguais. Nem ensina os donos de empresas a olhar o profissional pela sua competência e qualificação, independentemente da sua etnia.
Precisamos mudar essas estatísticas!!! Não podemos mais aceitar essa situação, só temos espaço na sociedade se for ocupando as periferias das cidades e trabalhando em subempregos.
Mais uma vez eu grito: chega de racismo!!!! Vamos lutar por um país justo e com oportunidades iguais.
